Quanta Diferença

Quando, na madrugada do dia 11 de março, o território japonês foi alvo de um terremoto de magnitude de 8,9 graus na escala Richter, seguido de um tsunami, o mundo todo esperou pelo levantamento do número de vítimas.

Com o passar dos dias, em meio às tristes cenas de destruição, o povo daquele país nos deu mostras de que há, sim, esperança quanto à educação, respeito e honestidade. Sem que existissem tumultos, as pessoas esperavam sua vez para comprar e receber alimentos assim como reiniciavam a construção do que tinha sido destruído.

Fato surpreendente, ao menos para nós brasileiros, tão acostumados a obras ruins e demoradas, foi o reparo em tempo recorde de uma estrada. Aparentemente perfeita aos olhos de tantos, ela ficou pronta em apenas seis dias e, segundo os responsáveis por sua recuperação, não estava à altura do que o povo local estava acostumado – afinal, eles também pagam impostos.

E é aí que está toda a diferença. Nossos tributos, além de muitos, sobrecarregam os cidadãos para, comumente, não serem destinados às funções para as quais se reservam. As obras públicas, que podem ou não ser entregues, certamente serão demoradas e sua qualidade será inferior quanto ao valor investido.

No ano passado, os estados de Pernambuco e Alagoas foram destaque por conta das fortes chuvas que castigaram algumas de suas cidades. Casas, ruas, estradas inteiras foram destruídas devido ao grande volume de água que fez com que rios transbordassem e invadissem áreas urbanas. Na época, embora as autoridades orientassem as pessoas a não pagarem valores exorbitantes por um garrafão de água, por exemplo, nada foi feito para inibir a ação de vários comerciantes que se aproveitaram da calamidade, dentre eles alguns políticos locais.

Passado quase um ano da tragédia as mesmas localidades voltaram a padecer do mesmo mal. Da ajuda federal, pouco se utilizou. Estradas continuam ruins e os trabalhos de recuperação, demorados.

O Rio de Janeiro é outro que passa por situações semelhantes. Meses após os estragos causados pelo fluxo de chuvas de janeiro rodovias sequer passaram por reparações. E, como buracos e rachaduras no asfalto são mais do que comuns nas estradas nacionais, estamos entregues a nossa própria sorte.

Obras essenciais, que poderiam facilitar a vida dos usuários, são adiadas por causa de erros de projetos ou mesmo embargadas devido às licitações fraudulentas. Existe ainda o fator burocrático, que atrasa ainda mais a tomada de decisões administrativas e operacionais.

A ausência de gerenciamento em determinados órgãos é tamanha que, para se autorizar o início de uma obra viária, passam-se meses até que os resultados dos estudos para a aprovação sejam dados e outro tanto à espera das licenças.

Em paralelo, ouvimos que o Brasil vive um grande momento de prosperidade. Indústrias se instalaram em locais antes ignorados, empregos foram gerados e a mão-de-obra precisou se qualificar (nem todos, é verdade) para atender à demanda de serviços.

O problema, entretanto, vem à tona na hora de escoar a produção. A total falta de sintonia entre nossas modalidades de transporte impede que agilidade, praticidade e modernidade caminhem juntas. A falta de integração entre os setores acaba afastando possíveis investidores que vêm em busca de eficiência e resultados rápidos.

O “coma” gerencial no qual o Brasil se encontra por si só já dimensiona a estrutura do caráter de grande parte da população. Sim, é doloroso admitir que temos os governantes que merecemos, afinal nós os colocamos e recolocamos onde atualmente estão. Se seus atos são irresponsáveis, indecorosos e, por vezes, megalomaníacos, mudemos nossas atitudes arrogantes de acreditarmos viver no melhor país do mundo – onde não há furacões e terremotos; mas tão cheio de outras mazelas como a fome, a pobreza, o desperdício, a desonestidade, a irresponsabilidade…

Fonte:Carplace/Michelle Sá

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